5 August 2007

post-it

I feel sooo busted!

4 August 2007

alerta naranja

Los Iracundos - 40 grados

Os termómetros estão ao rubro. Máximos de 40ºC em Madrid para o fim de semana.

e em Portugal há praia, mas...

"Autoridades apreendem em Albufeira quatro mil bolas de berlim impróprias para consumo." 02.08.2007 - Lusa

O país da minha infância está a desaparecer. As bolas de berlim da praia, com recheio de ovo, meias quentes e suadas de andarem todo o dia a passearem na caixa dos bolos do vendedor ambulante. À mistura com os guardanapos de papel pardo e os trocos... e a areia que tinha nas mãos e que acabava sempre por comer juntamente com o açúcar. Claro que são impróprias para consumo. Que ideia peregrina!

Já não se comem carapaus com molho à espanhola na tasca da praia, nem se encontra um Sumol de ananás. Agora bebem-se caipirinhas, come-se picanha e o peixe grelhado na praia custa 30 euros por barba. O país está mais envernizado, mais polido, "chique a valer" diria o Dâmaso Salcede.

No país da minha infância, uma praia como deve ser, tinha mirones nas dunas, um banheiro a dormir a sesta na barraca, com tanga encarnada, bigode e fio de ouro incluídos, vendedores de gelados de "frutóóó chicolate", línguas de sogra e bolas de berlim. E as tascas tinham caracóis. E eu tenho saudades.

Não me preocupa a segurança alimentar, preocupa-me a perda de identidade.

não há praia, mas... (III)


mas há telhados para tomar um brunch "in the sky". Na Penthouse


O menu pode não ser o melhor, mas tens umas vistas que te cagas.

25 July 2007

Hegel era um chato


“How do I define history? It’s just one f***ing thing after another.”

The History Boys, Alan Bennett

24 July 2007

Zeitgeist

A camisa tem um padrão muito giro, mas do que eu gosto mesmo é da etiqueta. Parece resumir a sociedade e o tempo em que vivemos. É uma camisa conceptual.

não há praia, mas... (II)


















mas há passeios para andar a pé. Vou para casa sem pressas.

18 July 2007

Lisboa vista daqui
















"Lisboa se hace vieja", aqui, reportagem publicada no El País.

não há praia, mas...

É só descer à praceta aqui ao lado de casa e tenho um carrinho de gelados deluxe - morango com pétalas de rosa, tangerina, chocolate suíço ou "dulce de leche" (uma espécie de gelado de baba de camelo)... mnham, mnham!

Aquí no hay playa

Aquí no hay playa - Los refrescos (1989)

Madrid dá cabo de mim. Vou é dormir a sesta para não pensar muito no assunto (excelente o blog da Rititi).

15 July 2007

amigos que partem

David, Diogo, Fred, Patrícia, Jorge, Paulo, Gomes, Cédric, Viveiros, Pooja, Luís, Teresa e Gustavo...

Quando se vive fora, somos mais conscientes do tempo que passa. Talvez por isso, os laços que estabelecemos com os outros parecem ter mais intensidade e consolidar-se mais depressa. Somos uma comunidade móvel, um tanto precária. Sabemos há quanto tempo estamos fora, há quanto tempo chegaram os amigos, há quanto tempo não vamos "a casa", e sabemos também que há um tempo para partir, para voltar, ou para voltar a partir... para outra parte.

Uns partem, outros ficam, e outros ainda por chegar. Eu tenho saudades de todos.

Madrid me mata

"Madrid le absorbe a uno en su vorágine hedonista. Parece una ciudad empeñada en compensar que no tiene un río ni una playa como Dios manda."

Edward Owen, "Vaya País - Cómo nos ven los corresponsales de prensa extranjera", coord. Werner Herzog

30 June 2007

a República é laica


"O Governo aprovou a celebração de casamentos religiosos, com efeitos civis, a comunidades religiosas radicadas em Portugal há mais de 30 anos."

Mais aqui.
Se esta esquerda bem pensante prentendesse, de facto, acabar com as prerrogativas da Igreja Católica em Portugal, acabava com elas, em vez de andar a distribuir alegremente prerrogativas e benesses pelas demais confissões religiosas. De acordo com os valores laicos da República, consagrados na Constituição, revogem-se os benefícios fiscais concedidos à Igreja Católica, acabe-se com as aulas de religião nas escolas públicas, proceda-se à revisão da Concordata com a Santa Sé, separe-se o casamento civil do casamento católico. Legisle-se no sentido de acabar com uma situação de favor mantida por razões históricas e sociais, não criando vários sucedâneos dessa mesma situação.

Não quero mal-entendidos. Casei-me segundo o rito católico, tenciono baptizar os filhos que vier a ter e educá-los em conformidade com esses valores. Não espero é que seja o Estado a dar catequese aos meus filhos. Os compromissos que assumo por convicção privada não têm que se traduzir numa obrigação de prestação pública do Estado. Nunca entendi porque é que há aulas de religião nas escolas, e principalmente nas públicas.
Sou católica mas acredito num Estado laico e não vejo incompatibilidade entre uma e outra coisa. Agora que andamos todos outra vez a falar do Tratado e da defunta Constituição Europeia, não posso deixar de insistir em que o que nos define verdadeiramente, o legado cultural da Europa para o mundo, não são tanto as suas raízes cristãs, mas a capacidade de traçar essa linha conceptual entre o Estado e a Igreja, entre o temporal e o espiritual, e de conviver com ambas as realidades sem sucumbir a uma luta de poder entre elas.

solstício de Verão

"Do you always wait for the longest day of the year and then miss it? I always wait for the longest day of the year and then miss it." (Daisy Buchanan)

The Great Gatsby, F. Scott Fitzgerald.

ainda o meu rico Santo António

Santo António foi um português com vocação universal. Deixou um legado espiritual notável, chegou a Doutor da Igreja e foi canonizado "enquanto o diabo esfrega um olho" (não resisti à blasfémia!).

Em Portugal, no entanto, só conseguiu uma nota de 20 paus, não chegou nem aos 10 finalistas dos Grandes Portugueses e ainda lhe montamos aquela festa parola em Lisboa, cada ano mais parecida com um desfile de Carnaval.

Deve ser por isso que Santo António pregava aos peixes...

Santo António

"Para Inês,
o meu amigo e eu"

Agustina Bessa-Luís
Lx 7-6-2003

O meu autógrafo preferido, é bom ter amigos comuns.

azul

férias grandes

Mar,
amigos,
livros,
areia com pedrinhas,
peixe grelhado,
praia,
rosmaninho,
castelos de areia,
bikinis,
céu azul,
gaivotas,
perna de pau da Olá,
pinheiros,
sesta,
jornais,
matraquilhos,
frango assado,
pão saloio, e
andar de baloiço!

8 June 2007

por entre luzes e sombras IV

um acorde musical...

por entre luzes e sombras III

Olha que giro! Pareço uma nota solta numa pauta de música.

6 June 2007

conversas paralelas

Enquanto via a exposição, ouvi duas miúdas, que não teriam mais de 6 anos cada uma, a terem a seguinte conversa:

"- Mira, África es el segundo país del mundo...", hesitou, e corrigiu "- el segundo continente en el mundo con más gente!"
"- Con más africanos...", foi a resposta, ao que a primeira insistiu:
"- No. Con más gente!"

Exacto! Pessoas são pessoas, para lá de fronteiras, países ou continentes. Parece óbvio, mas às vezes é preciso insistir.

PHE07

Sebastião Salgado - Campo de refugiados de Kibamba, Zaire, 1994

África é o título da exposição que Sebastião Salgado organizou especificamente para o festival PHOTOESPAÑA, que celebra 10 anos. Trata-se de um conjunto de fotografias das séries relativas aos êxodos e ao trabalho, com textos do Mia Couto a acompanhar.

5 June 2007

toiros e cavalos ruços II

Não faltou a afición lusa

para pedir a orelha! Orelha! Orelha!

No final, só o Andy Cartagena cortou uma orelha. O João Moura (filho) ainda deu a volta à praça. Pedimos a orelha, mas não a concederam... e também não nos devolvem Olivença. Não há direito!

toiros e cavalos ruços




















Tarde de "rejones" no Domingo, para encerrar a feria de San Isidro em Las Ventas.

Em cartaz, João Moura, Andy Cartagena e João Moura (filho).

Foto: Juan Pelegrín (mais aqui)

and the winner is

1) Vaya País - Cómo nos ven los corresponsales de prensa extranjera, Werner Herzog (coord.), ed. punto de lectura;

2) El Corazón Helado, Almudena Grandes, ed. Tusquets;

3) Poema del Cid - Texto completo en castellano actual, ed. Castalia.

4 June 2007

feria del libro II

No meio do caos que é a feira do livro de Madrid - as bancas não estão organizadas apenas por editora, mas também por livraria, com os 10 mais vendidos a repetirem-se um pouco por toda a parte - encontrei, para minha surpresa, estes bonitos livros:














A imagem ficou cortada, mas o cavalheiro está a beijar a mão da senhora em atitude galante... muito apropriado para quem conhece a história do Alves & Cia. Serão assim tão caros os direitos de autor para uma imagem apelativa à época e temática queirosianas? Ou será que afinal nós gostamos mesmo é de ver o Eça a espreitar de dentro do Q de Queirós?!











Confesso que acho o Saramago um bocadinho irritante, mas irrita-me ainda mais a forma como em Espanha o tratam, como se fosse prata da casa.
Só por curiosidade, são edições de bolso. Já temos edições de bolso do Saramago em Portugal? É que aquelas capas "beige burguês" não me parecem muito apropriadas para o autor em questão...

feria del libro




















weheeee, vamos andar de carrocel, cavalgar os livros, sonhar!

1 June 2007

dia mundial da criança

Aquarela (Toquinho / Moraes)

Um post para agradar a miúdos e graúdos.

31 May 2007

o Alberto João é que tem razão

"Se o país agarrasse nos seus 12% de licenciados (em Espanha são 23%) e aplicasse muito dinheiro em bolsas no estrangeiro teria a certeza de que pelo menos esses poucos estudariam entre os melhores - e voltariam (faria parte do acordo) mais preparados para os desafios do país."

Martim Avillez Figueiredo, hoje in Diário Económico

... Lisboa está cheia de cubanos.

29 May 2007

afinal o gajo até é honesto

"Fazer um aeroporto na margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas."

Pois claro! Se fazer o que quer que seja em Portugal implica, pela natureza das coisas, uma derrapagem orçamental e diversos gastos ocultos, imaginem lá a derrapagem que não levava o orçamento se, para além do aeroporto, ainda fosse preciso construir os hospitais, as escolas e as urbanizações onde os tais milhões de pessoas teriam que viver?! Então e o saco azul para lá na Câmara aprovarem o licenciamento da obra, e o duplex que é para o sobrinho do Sr. Presidente?! Vai ser preciso construir um centro comercial, para incentivar o comércio. E o parque de estacionamento?! Certamente, em área ambiental protegida. Mais uns trocos para desqualificar os terrenos...e a empresa municipal que vai fazer o fornecimento de não-sei-quê ao hospital?? E umas quantas rotundas que sempre se gasta mais alcatrão, e o maldito repucho à entrada da vila, com o monumento ao 25 de Abril?! E o hotel?! Com campo de golfe, claro está? Vocês sabem quanto é que custa regar um campo de golfe?

Um gajo a tentar poupar uns trocos, a bem da Nação, e esta pandilha de ingratos a cair-lhe encima! Não há direito!

23 May 2007

quero ter 18 anos outra vez

Ir ao Youtube à procura do nosso arquivo mental pode ter estas consequências. Eu só queria a canção das flores dos Einstürzende Neubauten, mas vídeo puxa vídeo e, 2 horas depois, deixo aqui a minha canção favorita dos H-Blockx (e pensar que achava este gajo gordo uma brasa!!).
Nunca mais se ouviu falar deles, nem dos Guano Apes. Julgo que o crossover alemão acabou, é pena. Estou a ficar sentimental, fica prometido um post com os Thumb que foram a minha última k7 pirata.

Einstürzende Neubauten - Blume

Há dois dias que está um céu de chumbo e trovoada sobre Madrid, assim que decidi ir à procura das flores da Primavera.
Dizem que as abelhas estão doentes...talvez um dia só nos reste mesmo uma ideia conceptual das flores.

20 May 2007

e foram felizes para sempre III

Olééé, Olé...olé, olé, olé!

Y-M-C-A-A-A-A!

e foram felizes para sempre II

o irmão do noivo, o noivo, a noiva e os suspeitos do costume

e foram felizes para sempre




16 May 2007

segredos bem guardados

Calle Toledo, 18 - Madrid

alpercatas do 18 ao 40'e muitos, de todas as cores

Para mim, vir aqui uma vez por ano é como cumprir um ritual. A senhora da frente mete conversa comigo, uns turistas curiosos vêm indagar que alvoroço é este e decidem ficar também na fila. Já dentro da loja, no meio de uma barafunda bastante ordenada, sou assaltada por dúvidas filosóficas ao ver todas as cores disponíveis, alinhadas à minha frente.

Estar uma hora na fila para comprar alpercatas, é mais ou menos como comer huevos rotos, dormir a sesta no Verão, ou dizer palavrões… pequenos prazeres que me fazem sentir um bocadinho madrilena.

fundo de armário

Mudança de estação. Passei o dia a arrumar armários.
Confirmo que o Universo está em expansão...

14 May 2007

Ao Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros

Excelência,

Dirigi-me hoje ao Consulado Geral de Portugal em Madrid com a finalidade de renovar o meu B.I., recentemente caducado.

Já em 2004 me havia dirigido a estes Serviços com a mesma pretensão, tendo então o funcionário consular desaconselhado a renovação do B.I., por este só caducar em 2007, apesar da minha 1) manifesta mudança de residência, 2) mudança de estado civil, e 3) mudança de nome. Em consequência, todos meus documentos posteriormente emitidos pelas autoridades espanholas reflectem esta desactualização dos meus elementos de identificação.

Ocurrida a dita caducidade e afastada assim tamanha causa impeditiva, dirigi-me novamente ao Consulado Geral de Portugal em Madrid, onde após um muito cordial "- Diga lá o que é que quer.", foi-me perguntado se eu não contava ir proximamente a Portugal. É que em Portugal, foi-me informado, poderia renovar o meu B.I. "na hora". Expliquei que não tinha pressa, que estava munida de todos os documentos necessários, e que não tinha porque ir de propósito a Portugal pagar taxas de urgência, apenas porque no Consulado onde estou inscrita desde 2004 me desincentivam reiteradamente a tramitar o processo junto dos seus Serviços.

Afinal não era para me desincentivar, era apenas para me informar: "As pessoas têm que ser informadas!". Ainda assim, pediram-me para facilitar os trocos.

Apesar deste aparente afã informativo, nunca consegui obter informações coincidentes por parte do Consulado, relativamente ao processo de transferência dos cadernos eleitorais. Trabalho, e por isso nunca tive a disponibilidade de tempo necessária para fazer plantão diante do Consulado e para pedir o livro de reclamações como se impunha.

V. Excelência deverá, por isso, compreender, que eu não tenha contribuído para a eleição do Governo a que V. Excelência pertence. O ritmo da alternância parlamentar entre 2004 e 2007, tornava muito dispendioso o exercício do meu direito de voto, visto o mesmo ter de ser exercido na minha antiga escola primária em Lisboa (e com o meu B.I. desactualizado, bem entendidos).

Informo V. Excelência do exposto acima. Informo e rogo a V. Excelência que encerre o Consulado Geral de Portugal em Madrid por manifesta inutilidade.

Os portugueses residentes em Madrid assumem o custo das viagens a Portugal para tratar das papeladas "na hora", e V. Excelência ainda poupa no orçamento do MNE. Poupe no orçamento e poupe-nos a todos do estafado discurso sobre a dignificação da rede consular e do apoio às comunidades emigrantes.

P.D.

9 May 2007

era uma vez um gato maltês

"Malta já é mais rica do que Portugal"

in Diário Económico, 08-05-2007

(não sei se ainda toca piano e fala francês, pois o artigo não falava realmente do gato, ou de Malta, mas do défice acima dos 3% em Portugal, que só será corrigido lá para as calendas gregas... não é por nada, mas se eu fosse o gato maltês, chateava-me. O artigo podia ter outro título qualquer, mas este título o que põe em evidência é a arrogância de pensar que A ou B deveriam ser, pela ordem natural das coisas, menos desenvolvidos, mais pobres, ou menos seja lá o que fôr que nós próprios. Lamento informar, mas isto não é um concurso e não há prémios de consolação)

2 May 2007

um velho amigo (2)














Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.


Liberdade, Sophia de Mello Breyner Andresen

cair na real

Há dias, garantiam-me que, com dinheiro, se podia viver muito bem em Lisboa... com dinheiro, assim entre vírgulas, pode-se viver muito bem em muitos sítios.
Como prova da minha boa vontade, lá estava eu sentada na esplanada ao pé do rio, com uns seis empregados de serviço, todos vestidos a condizer com as mãos no bolso do avental, decerto pagos com esse dinheiro com que se pode viver muito bem. Os nossos sumos é que ficaram cinco minutos esquecidos em cima do balcão. Passou-se o mesmo com o bife, salvaram-se as batatas pala-pala, mas o molho estava frio.
Depois tentei jantar uma alheira com grelos. Afinal teve que ser com bróculos cozidos, se eu não me importasse... até me importava, mas não se pode dizer que me tenham dado opção, já que só me informaram da escassez de grelos quando começaram a servir os outros pratos da mesa.
Tentei comer um mil-folhas, para matar saudades, mas o creme tinha sabor a limão. Ao menos o quarto de Vigor ainda vem numa garrafa de vidro!
E ainda estivémos naquele sítio com vista sobre a cidade, muito agradável, onde até tivémos que ir lá dentro pedir para gastar o tal dinheiro com que se pode viver muito bem em Lisboa. Eu, quanto a mim, tinha ficado a curtir as vistas totalmente grátis, que também se vive muito bem assim...

Decidi passear pela rua e ver as montras. Bom, passear pela estrada, que nos passeios estão os carros das pessoas que com dinheiro vivem muito bem em Lisboa. Quando se acaba o passeio, começa o entulho. Comecei a reclamar que era uma visão terceiro-mundista, mas o Gonçalo rectificou que no dito terceiro mundo, pelo menos nos tais sítios frequentados pelas pessoas que com dinheiro vivem muito bem, há passeios e polícia na rua. Tive que admitir, aqui somos mais igualitários, o entulho na rua é para todos. Não vi tantas montras como gostaria. As galerias comerciais sucedem-se umas às outras, todas de vidro, luminosas e com um pátio interior com esplanadas. Todas têm imensas lojas vazias forradas a papel de embrulho. Pelos vistos, o tal dinheiro com que em Lisboa se pode viver muito bem não chega para comprar todas as coisas que um dia estiveram à venda nessas galerias...


o meu país imaginário (4)














Digo:
"Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver

Lisboa, Sophia de Mello Breyner Andresen

26 April 2007

book club

Voltar a sentir aquela absurda alegria do primeiro dia de aulas. Vou continuar.

Robin Hood pós-moderno


25 April 2007

o 25 de abril, pá!


















O que vem a ser isto?
Ai a rebaldaria. Faxavor de dizer ao magala para pôr imediatamente no lugar o retrato do "Grande Português". É uma ordem, pá! Afinal, o Povo é quem mais ordena...

Qual feriadinho, qual quê? Vão trabalhar malandros!

Foto: cortesia do www.pcp.pt

23 April 2007

dia mundial do livro














Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Liberdade, Fernando Pessoa


(pela minha parte, tenciono passar o serão a ler furiosamente o "Gentlemen & Players", da Joanne Harris, na esperança de acabar de ler o livro antes da reunião do book club, na próxima Quinta-feira)

22 April 2007

Real Jardín Botánico III

Final Feliz!

Real Jardín Botánico II

árvore macaca-de-imitação

Real Jardín Botánico

Que bem que se está no campo...

suspiro

Há uns dias, passei por uma pastelaria que tinha suspiros na montra. De miúda, mais do que gostar de comer suspiros, gostava da expectativa de descobrir se estariam ou não mal cozidos. Gostava de os partir com os dentes primeiro, para ver se tinham espuma dentro. E adorava esmagar a espuma mal cozida contra o céu da boca, enquanto ia espalhando migalhas de pó de açúcar. Movida por essa mesma expectativa decidi entrar e comprar o meu "merengue". Devia ter suspeitado quando a senhora me deu uma colherzinha de plástico... era o suspiro mais mal cozido de sempre! Apenas com uma fina capa para manter a sua forma característica, mas se o apertasse moldava-se sem quebrar nem fazer aquelas migalhas de pó. O suspiro perfeito.

17 April 2007

auto-retrato


















Adivinhem lá quem faz anos hoje?!

pão e circo

"Democracy is the art and science of running the circus from the monkey cage."

H. L. Mencken

16 April 2007

o meu país imaginário (3)

Onde estão as fronteiras?!

9 April 2007

post filosófico

"Si no somos corresponsables del pasado, tampoco tendremos derecho a reclamarnos legítimos propietarios del futuro".

Fernando Savater

8 April 2007

Domingo de Páscoa

"Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto"
Col 3, 1- 4


Cordeiro Pascal, Josefa d'Óbidos, 1660-70

6 April 2007

mas será que sou só eu?!

Foto: publico.pt

Devo viver há demasiado tempo fora de Portugal, porque não estou a perceber...
Ao que parece, até já retiraram o cartaz do Gato Fedorento, mas depois de passear pela blogoesfera portuguesa não posso deixar de me sentir consternada pela forma como toda esta questão foi/está a ser tratada.
Devo ser só eu. Desculpem lá, mas não comungo da onda de "vivas" aos Gatos. Nem vou comentar o outro cartaz, não é isso que está em causa. Parvoíces, dizem-se muitas em Portugal. Mas somos uma Democracia, assim que cada um diz as parvoíces que quiser dentro dos limites da Lei. O "cavalheiro" do PNR, como li por aí, tem um partido político, o que é mais do que ter um programa de televisão. Um partido político significa que: 1) é uma organização política legal, 2) os seus estatutos obedecem a uma lei de partidos, e 3) o seu conteúdo programático está conforme à Constituição. Há um processo a seguir para constituir partidos políticos e há um processo para ilegalizar partidos políticos, quando estes não cumprem a Lei.
Claro que, tratando-se de Portugal, as instituições competentes, preferiram estar com paninhos quentes, em vez de "tener lo que hay que tener" para tomar medidas contra este partido e o dito cartaz. O ponto essencial é este! E era o que esse ímpeto de cidadania que anda por aí deveria estar a criticar, em vez de se limitar a achincalhar o partido que, queiramos ou não, ainda é legal. Mas devo ser só eu...

4 April 2007

e hoje há palhaços

"Licenciatura de José Sócrates gera polémica na Wikipédia"

Notícia na edição de hoje do Público

o circo

"O embaraço do primeiro-ministro com as suas qualificações académicas não teria razão de existir se Sócrates não estivesse tão marcado pelo complexo de inferioridade e provincianismo que afecta a classe política."

Vicente Jorge Silva, "Diário de Notícias", 04-04-2007

1 April 2007

abril águas mil

O que me apetecia mesmo era ir lá para fora com umas galochas...

25 March 2007

ontem fui à praia

Uma manhã passada aqui.




















Paseo a Orillas del Mar, Joaquín Sorolla Bastida, 1909