16 December 2006

mais coisas para ver

Os Galgos, 1911, Amadeo de Souza-Cardoso

A Fundação Calouste Gulbenkian apresenta a exposição "AMADEO DE SOUZA-CARDOSO, Diálogo de Vanguardas", até 14 de Janeiro de 2007. A exposição abrange todo o período de actividade do artista (1907-1918) e pretende, ao mesmo tempo, estabelecer o reencontro entre a obra de Amadeo e de artistas estrangeiros seus contêmporâneos, dentro e fora do seu círculo de amizades.

Infelizmente não poderei disfrutar do prazer de uma visita guiada por Miss Canavarro em pessoa, mas quero muito, muito, muito ver esta exposição. Em primeiro lugar porque se trata de um dos meus pintores portugueses favoritos e alguns dos seus quadros, como estes galgos, fazem parte da minha memória visual. Depois há a Fundação Calouste Gulbenkian. O espaço em si traz-me de volta à infância, o cheiro das alcatifas, o bengaleiro e aquele corrimão largíssimo em metal, ao lado da escadaria, que então me parecia perfeito para um escorrega... confesso que nunca me atrevi, intuitivamente sabia que isso do escorrega não era "portar-se bem" num museu. Mas isso foi antes de existir a Tate Modern...

luzinhas de Natal














Calle Ortega y Gasset, Madrid

A fotografia até nem ficou mal, não Senhor, mas a estas alturas em que meio mundo anda discutir a crise energética, o consumo sustentável, a necessidade de desenvolver fontes de energia alternativas e mais prosaicamente para onde é que este modelo de desenvolvimento nos está a levar a todos... pergunto-me se este excesso nas decorações natalícias, mais do que ser piroso, não será simplesmente chocante.

15 December 2006

How to have a green Christmas

Para parar e pensar por um momento, antes de irmos às compras este Natal.
Informações, ideias e sugestões aqui

14 December 2006

coisas para ver

M C Escher, 1948, Litografia


EL ARTE DE LO IMPOSIBLE, no Centro de Arte Canal em Madrid, de 15 de Dezembro a 4 de Março.




De repente fiquei com saudades da escola - das mesas corridas das salas de arte, dos bancos giratórios, dos dedos sujos de tinta e daqueles trabalhos sobre perspectiva inspirados neste grande mestre.

Monty Python's Flying Circus

Isto sim era um circo de verdade...

o circo II

"Existe entre nós, portugueses, uma espécie de atavismo autofágico que nos torna nos principais inimigos de nós próprios e do que é nosso, e que se pode traduzir na expressão: “se é português é mau e se for bom nós estragamos”. [...] Neste mesmo atavismo parece incluir-se o recente ataque por que está a passar a banca portuguesa, reconhecidamente um dos melhores sectores económicos do País e que pede meças em eficiência e qualidade de serviço ao cliente em qualquer parte do mundo. Primeiro foram os lucros. Culturalmente, o lucro tende a ser considerado, entre nós, na margem do que é actividade legítima. Quando muito, poderá aceitar-se que haja lucros, desde que “moderados”. Inevitavelmente, lucros expressos em centenas (ou milhares) de milhões de euros não podem deixar de chocar a capacidade de compreensão de uma mentalidade “remediada” e habituada a pensar pequeno. [...] Talvez, num cenário que não é pouco provável, se a banca portuguesa se tornar num mero conjunto de sucursais de bancos estrangeiros e passar a deixar os lucros lá fora, torne toda a gente mais feliz, na linha do adágio salazarista: “pobretes, mas alegretes!” (Crónica de Vítor Bento in Diário Económico, 14 de Dezembro)

o circo I

"Os portugueses são um povo muito curioso, nunca levam a sério o que é sério, preferem a reputação à substância. Por causa dessa característica antropológica, transformam tudo num espectáculo de circo, sem perceber que assim contribuem para perpétuar uma sujeira e não para a limpar. Mas, enquanto há vida, há esperança. Em Palermo, as coisas também mudaram um dia... " (Crónica de Domingos Amaral in Diário Económico, 13 de Dezembro)

13 December 2006

um bocadinho de História

Na edição on-line do Guardian podia ler-se hoje uma grande notícia (texto integral aqui):

"Bushmen forced out of the Kalahari desert by Botswana's government won a landmark legal victory today as the country's high court ruled they had been illegally removed and should be allowed to return. [...] Survival International, a British-based pressure group which campaigns for the rights of indigenous and tribal people and has been assisting with the case, hailed the verdict as "a victory for the Bushmen and for indigenous peoples everywhere in Africa".
[...] The Bushmen, whose ancestors lived in the Kalahari 20,000 years ago, say they have been forced to resettle in bleak camps to make way for diamond mining, Botswana's most lucrative export.
They launched a civil lawsuit in April 2002 to try to force the government to let them return to the Kalahari. The initial case was thrown out on a technicality, but in 2004 the high court then agreed to hear the complaint. [...] Survival International alleges that the Bushmen have been forced out to make way for increased operations by De Beers, the world's biggest diamond mining company, which denies any such plans. Discovered in 1967, a year after Botswana gained independence from Britain, diamonds have taken the country from one of the poorest in the world to a per capita annual income of more than £5,000.
[...] The government has resettled about 2,000 Bushmen, mostly in 1997 and 2002, and says all but about 24 had voluntarily left the reserve. About half of southern Africa's 100,000 surviving Bushmen live in Botswana.
Survival International says that more than one in 10 of the original 239 Bushmen who signed up to the legal case have since died in government resettlement camps."

Hoje fez-se um bocadinho de História.

11 de Dezembro de 2006

O mundo no dia em que o Gustavo nasceu.
Tantas histórias para um dia recordar...

11 December 2006

Segundo Domingo do Advento

Zwei Kerzen, 1982, Gerhard Richter

après ski

Fondue Savoyarde:

400 g de Comté,
400 g de Beaufort,
1 cuillerée à café de fécule de pomme de terre,
1 petit verre de kirsch,
1 gousse d'ail,
poivre blanc,
1 bouteille de vin blanc de Savoie,
1 gros pain de campagne un peu rassis

et voilà! O sininho da porta ao entrar, o sorriso dos empregados (sim, mesmo em França!), os narizes vermelhos do frio, tirar por fim as luvas, os amigos à volta da mesa, a madeira maciça, um copo de glühwein, contar as façanhas do dia e deixar a neve cair lá fora...

Val d'Isère 100 anos depois

Mauricio, Nora, Ricardo, Inês, Juan e Gonçalo

Alpes franceses circa 1905

Collection privée Jean-Pierre Gallay, éditions mythra

5 December 2006

interrompemos a transmissão

para passar uns diazinhos na montanha.

em flagrante delito

Encontrei estes bonecos de ar algo suspeito no meu frigorífico...

Happy Birthday

Capa da 1ª edição da British Vogue, 1916

A minha revista favorita cumpre 90 anos. A história detrás desta 1ª edição, lançada em plena WWI, é um bom exemplo de como por vezes grandes ideias surgem nos momentos mais adversos.

"Our elder sibling, American Vogue, had been launched in 1892 and was regularly shipped to Britain. (...) With the onset of World War I it became impossible to import copies to the UK, so Vogue's American proprietor Condé Nast authorised a British edition. It seems a curious time to launch a fashion magazine, but British Vogue was an immediate success."

Editor's Letter, Alexandra Shulman in British Vogue Dec. 2006

3 December 2006

Primeiro Domingo do Advento

Kerze, 1982, Gerhard Richter

2 December 2006

sem marcha-atrás

Zwei Fiat, 1964, Gerhard Richter


O tempo que a gente perde pela vida a correr
O tempo que a gente sonha que é chegar e vencer
O tempo faz de nós um copo p'ra beber em paz
O tempo é um momento para nunca mais

O tempo mesmo agora fez a terra girar
O tempo sem demora traz as ondas do mar
O tempo que se inventa quando nunca se é capaz
O tempo é um carro novo sem a marcha-atrás
(...)


Miguel A. Majer (do albúm "tudo é para sempre...", Donna Maria)

1 December 2006

1 de Dezembro

O ano passado diverti-me imenso a enviar e-mails com fotografias do D. Duarte de Bragança aos meus colegas de trabalho, mas este ano não estou de humor para grandes celebrações...

Não cheguei a ver a sondagem do semanário Sol, segundo a qual mais de um quarto dos portugueses eram da opinião que Portugal e Espanha deveriam formar um só país. Quando me apercebi da polémica, tudo o que encontrei foram os resultados deste inquérito na edição online do Público de 27.10.06:

Concordaria com uma eventual união entre Portugal e Espanha?

1-Sim 42 % (1963)

2-Não 57 % (2700)

Total de votantes: 4663

Sem comentários. Espero que os "iberistas" sejam ao menos coerentes e não façam ponte neste feriadinho.

caminante no hay camino















(...)
Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar...
(...)

Antonio Machado